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Amanhã pode ser tarde

Ontem?...Isso faz tanto tempo!...
Amanhã?...Não nos cabe saber!...
Amanhã pode ser muito tarde
Para você dizer que ama,
Para você dizer que perdoa,
Para você dizer que desculpa,
Para você dizer que quer tentar de novo...
Amanhã pode ser muito tarde
Para você pedir perdão,
Para você dizer:
- Desculpe-me, o erro foi meu!...
O seu amor, amanhã,  pode já não ser útil;
O seu perdão, amanhã, pode já não ser preciso;
A volta, amanhã, pode já não ser esperada;
A sua carta, amanhã, pode já não ser lida;
O seu carinho, amanhã, pode já não ser necessário;
O seu abraço, amanhã pode já não encontrar outros braços...
Porque, amanhã, pode ser muito...muito tarde!
Não deixe para amanhã para dizer:
- Eu amo você!
- Estou com saudades de você!
- Perdoe-me!
- Desculpe-me!
- Esta flor é para você!
- Você está tão bem!...
Não deixe para amanhã
O seu sorriso,
O seu abraço,
O seu carinho,
O seu sonho,
A sua ajuda...
Não deixe para amanhã para perguntar:
- Por que você está triste?
- O que há com você?
- Ei!... venha cá, vamos conversar...
- Cadê o seu sorriso?
- Ainda tenho chance?...
- Já percebeu que eu existo?
- Por que não começamos de novo?
- Estou com você. Sabe que pode contar comigo?
- Cadê os seus sonhos?
Onde está a sua garra?
Lembre-se:
Amanhã pode ser tarde...muito tarde!
Amanhã, o seu amor pode não ser preciso;
O seu carinho pode não ser preciso;
O seu amor pode ter encontrado outro amor;
O seu presente pode chegar muito tarde;
O seu reconhecimento pode não ser recebido com o mesmo entusiasmo!...
Procure. Vá atrás! Insista! Tente mais uma vez!
Só hoje é definitivo!
Amanhã pode ser tarde... muito tarde!...

A Conferência


      Convidado a fazer uma preleção sobre a crítica, o conferencista compareceu ante o auditório superlotado, sobraçando pequeno fardo. Após cumprimentar os presentes, retirou os livros e a jarra d'água de sobre a mesa, deixando somente a toalha branca. Em silêncio, acendeu poderosa lâmpada, enfeitou a mesa com dezenas de pérolas que trouxera no embrulho, com várias dúzias de flores colhidas de corbelhas próximas. Logo após, apanhou da sacola diversos biscuits belos, representando motivos edificantes, e enfileirou-os com graça. Em seguida, situou na mesa um exemplar do Novo Testamento em capa dourada. Depois, com o assombro de todos, colocou pequenina lagartixa num frasco de vidro. Só então comandou a palavra, perguntando:
            ¾ Que vedes aqui, meus irmãos?
E a assembléia respondeu, em vozes discordantes:
            ¾ Um bicho!
            ¾ Um lagarto horrível! 
            ¾ Uma larva!
            ¾ Um pequeno monstro!
            Esgotados breves momentos de expectativa, o pregador considerou:
            ¾ Assim é o espírito da crítica destrutiva, meus amigos! Não enxergastes o forro de seda lirial, nem as flores, nem as pérolas, nem as preciosidades, nem o Novo Testamento, nem a luz faiscante que acendi. Vistes apenas a diminuta lagartixa...
            E concluiu, sorridente:
            ¾ Nada mais tenho a dizer...


Como temperar o aço

            Conta-se a história do ferreiro que, depois de uma juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua alma a Deus.
            Durante muitos anos, trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar de toda sua dedicação, nada parecia caminhar bem em sua vida. Muito ao contrário, seus problemas e suas dívidas acumulavam-se cada vez mais.
            Numa bela tarde, um amigo que o visitava e que sentia compaixão por sua difícil situação, comentou:
            ¾ Realmente, é muito estranho que justamente depois de você ter se decidido tornar-se um homem temente a Deus, sua vida tenha começado a piorar. Não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de sua crença num mundo espiritual, nada melhorou.
            O ferreiro não respondeu, pois já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia com sua vida; no entanto, como não desejava deixar o amigo sem resposta, começou a falar, e acabou por encontrar a explicação que buscava. Eis o que disse:
            ¾ Nesta oficina, eu recebo o aço sem ter sido trabalhado e devo transformá-lo em espadas. Você sabe como se faz isso? Primeiro, esquento a chapa de aço em uma temperatura infernal, até que se torne um vermelho vivo. Em seguida, sem nenhuma piedade, pego o martelo mais pesado e lhe aplico vários golpes, até que a peça adquira a forma desejada. Em seguida, submerjo-a em um balde de água fria e a oficina toda se enche com o ruído e com o vapor, porque a peça estala e grita, por causa da violenta mudança de temperatura. Tenho que repetir este processo até obter uma espada perfeita ¾ uma só vez não é o suficiente.
            O ferreiro fez uma longa pausa e continuou:
            ¾ Às vezes, o aço que chega às minhas mãos não consegue suportar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria acabam por enchê-lo de rachaduras. Nesse momento, percebo que jamais se transformará em uma boa lâmina de espada, e então o deixo na montanha de ferro velho que você pode ver na entrada da minha serralharia.
            Fez uma outra pausa e terminou:
            ¾ Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Aceito as marteladas que a vida me dá e, às vezes, me sinto tão frio e insensível como a água que faz o aço sofrer. Mas a única coisa que penso é: "Meu Deus, não desistas até que eu consiga tomar a forma que Tu esperas de mim. Tenta da maneira que te parecer melhor, pelo tempo que quiseres, mas nunca me coloques na montanha de ferro velho das almas".
           

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